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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Crédito à habitação

Cópia de mensagem enviada ao Sr. 1º Ministro e, com as devidas adaptações, ao Sr. Ministros das Finanças, do Trabalho, da Economia e Grupos Parlamentares.
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Exmo. Senhor Primeiro-ministro

É bem do seu conhecimento o autêntico massacre que dizima a população portuguesa devido ao contínuo aumento das taxas de juro.

Até há bem pouco tempo os bancos escudavam-se na subida, ou na antecipação de subida, das taxas de juro do BCE.

Agora que essa argumentação não pode mais ser utilizada, pelo menos de momento, os bancos continuam a fazer subir as Uribor com a trágicas consequências todos os dias visíveis, i.e., a executarem as hipotecas detidas sobre as habitações e a levá-las à praça, completamente indiferentes ao facto de deixarem milhares de famílias na miséria.

Exa.

* Os portugueses são completamente alheios aos motivos pelo quais a banca sobre os juros.

* Os portugueses que compraram casa própria fizeram-no cumprindo um legítimo direito e um sonho comum a todos.

* A compra de habitação própria foi, durante anos, incentivada por sucessivos governos e pela banca.

Não é socialmente justo que sejam agora deixados completamente sós e entregues à ganância banca,
incapaz de atender senão aos seus próprios interesses.

É urgente e imperativo que sejam tomadas medidas de apoio a estes concidadãos de molde a salvar da desgraça e da miséria aqueles que ainda podem ser salvos.

Respeitosamente

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ERC (entidade reguladora p/a comunicção social)

Todos os dias tenho motivos para indignação, revolta e pasmo provocados por entorses à lei, abusos de poder e autismo das diversas entidades públicas, sejam elas governo, empresas públicas, reguladores ou outras.

Desta vez é a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) que está, mais uma vez em causa quando a propósito do relatório da investigação sobre as pressões de Sexa., o Primeiro-ministro, José Sócrates, terá directamente e por intermédio de assessores seus, exercido sobre vários órgãos da comunicação social, para travar, suspender, alterar, notícias sobre a sua fantástica licenciatura como engenheiro.

Esta entidade, de que nunca percebi a necessidade e/ou utilidade, outra que arranjar lugares para uns quantos, demorou nove meses a disponibilizar ao Expresso, uma cópia do relatório de mais de 300 páginas, pelo preço de € 169,22, depois de a CAD, (Comissão de Acesso aos Dados Administrativos, outra entidade que nem sabia que existia), ter ordenado a sua divulgação.

Esse mesmo
relatório acabou por ser divulgado no sítio dessa entidade não se compreendendo como se cobrou por ele dinheiro a um media.

Não é a importância em si que está em causa mas o princípio.

A arrogância desta gente, segura da sua impunidade quando desrespeitam a lei, é uma coisa chocante e espantosa que contribui para o descrédito com que o cidadão olha para a administração e seu aparelho.

Nem os depoimentos de vários e conceituados jornalistas, confirmando a existência dessas pressões, e mesmo do tom violento de algumas delas, a ERC acabou por arquivar o relatório, confirmando a sua submissão e temor ao poder em exercício.

Para mim fica provado a inutilidade desta entidade.

O mui ilustre Primeiro-ministro prometeu extinguir inúmeras fundações e entidades que tinham, muitas delas, funções sobrepostas ou cuja missão se tinha extinto e que continuavam a ser um sorvedouro de público dinheiro.

Esta inútil entidade mantêm-se em exercício e compreende-se, agora mais que nunca, porquê, serve ao governo como bandeira de uma proclamada isenção, isenção que não passa de uma risível proclamação.

E o Zé continua a pagar.

Saudações a todos
Nau Catrineta

Fonte: respigos da imprensa e jornal Expresso

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Com uma frequência surpreendente, ou talvez nem por isso, os media trazem a lume escândalos, negociatas, presumíveis falcatruas, que percorrem de A a Z toda a sociedade e classes sociais.

Não escapa o governo, políticos de todas a graduações, profissões liberais, artistas, jogadores de futebol, também eles artistas na sua esfera, autoridades policiais sortidas, etc.

De repente, ou pelo menos, muito rapidamente nos últimos anos, as diversas comunicações sociais parecem ter despertado para uma determinada “missão” e não há, praticamente nada que não mereça a sua atenção e denúncia.

Nada de mal há com isso, se forem descontados os excessos de uma necessidade e um gosto duvidoso e também as inverdades que são vinculadas de tempos em tempos.

Bem melhor esta situação do que a existente durante o cinzentismo monocromático salazarista e do consulado de Caetano.

Algumas notícias e causas tem verdadeiramente interesse geral e nacional, outras simplesmente interesse regional e outras não interessam a ninguém exceptuando um reduzido grupo de cidadãos.

Macaco velho e muito escaldado, quando “olho” algumas dessas notícias tenho sempre a sensação de que alguém pode estar a querer fazer um favor ao governo desviando a nossa atenção para factos, muitas vezes menores.

Que querem? É assim.

Esta conversa, aparentemente, a despropósito, tem que ver com alguma(s) publicações que farei a seguir neste espaço.

Saudações a todo(a)s
Nau Catrineta

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Paul Newman foi-se, na hora que lhe foi marcada, como todos nós iremos logo que o Senhor o entenda.

Gostava do homem, do actor, porque, na verdade, não sendo um cinéfilo, dele pouco ou nada sei para além do que na tela se mostra, e isso é muito pouco para que se saiba do homem para além do actor.

Não fico pesaroso pela sua partida, não fico mesmo.

Fico antes a pensar que ele teve uma vida plena e gloriosa, fazendo aquilo que gostava, e na qual só a morte prematura por “overdose” de seu filho lançou uma indelével mancha negra de dor e tristeza na sua vida.

Mesmo esse facto triste fez dele mais “humano”, mais semelhante a qualquer dos seus indefectíveis admiradores.

A sua vida pessoal foi uma rara excepção no seu meio, onde as aparências contam mais que as realidades e onde, raros são aquele(a) que não fazem literalmente tudo para treparem a efémera escada da fama.

Homem indubitavelmente bonito, bem apessoado, terá tido a seus pés centenas mulheres, grande parte delas seguramente, procurando, por qualquer meio, guindar-se à sombra da sua fama numm meio tão rude e cruel como o da sétima arte.

Não me lembro de ter ouvido rumores de escândalos, aqueles escândalos que tanto(a)s promovem como meio de auto promoção, e esteve casado durante meio século com a mulher com quem casou, coisa cada dia mais rara, mesmo fora do mundo das artes.

Homem rico pôde dar largas ao seu gosto pela velocidade e tornou-se dono de uma equipa da fórmula Indy onde ele próprio corria até há pouco.
Em memória de seu filho decidiu doar todos os lucros provenientes da sua indústria de “molhos” e similares, a instituições de apoio a toxicodependentes e, à hora da sua morte, mais de $ 170 milhões de USD, tinham sido já distribuídos.

Independentemente das motivações que o moveram tem, para mim, muito mais significado este apoio, que todos os apoios de muitos “Bill Gates”, cujas incomensuráveis fortunas nada sofrem, nem se reduzem, com avultados donativos que fazem, este gesto do falecido actor tem uma grandeza bem maior por a sua fortuna não ser escandalosamente, diria mesmo, obcesnamente grande como a de outros.
Saudações a todo(a)s
Nau Catrineta

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Crédito à habitação

Durante anos a banca incentivou e continua a incentivar o crédito ao consumo, nomeadamente o crédito hipotecário para compra de habitação.

A taxa de juro aplicável a esses empréstimos, todos o sabem, está indexada à Euribor, isto é, a taxa de juro que os bancos, e só eles, estabelecem para os empréstimos entre eles concedido.

Durante muito tempo os bancos justificavam a subida dos juros com a taxa de juro cobrada pelo BCE (Banco Central Europeu) e, antecipando, como diziam, o aumento dessas taxas, subiam eles logo a taxa Euribor.

Agora que o BCE não subiu a taxa de referência, a banca, continua a fazer aumentar a Euribor, sempre em nome da necessidade do mercado e da livre iniciativa, sem que os governos se decidam a, de uma forma ou outra, intervir para minorar a verdadeira hecatombe que se abate sobre as famílias, recusando a banca a assumir qualquer função social a não ser a sua e a dos seus accionistas, insaciável ganância.

Quando falo de accionistas refiro-me, principalmente, aos grandes accionistas, que tem uma palavra a dizer na gestão dos vários bancos e, não tanto, ao pequeno accionista que fez uma aplicação, mais ou menos modesta, das suas economias.

Verifica-se agora, depois do terramoto que afectou o mercado financeiro nos EUA, e apesar das centenas de milhões que as autoridades financeiras desse país e o BCE terem lançado no mercado, a Euribor continua a subir sem outra razão plausível a não ser a desconfiança com que os bancos se estão a olhar mutuamente.

Os balanços dos bancos são uma prova viva de que, apesar da crise, a banca continua a engordar indiferente às desgraças que provoca entre os mutuários do crédito, vítimas da sua legítima vontade de terem um teto para se abrigarem e da gula da banca.

É imperativo, é urgente, que os governos façam algo, senão isoladamente, pelo menos em conjunto, pelo menos junto do BCE para que a taxa de juro de referência seja revista em baixa, agira que a inflação na zona Euro está em baixa.

A banca, tal como as petrolíferas, não podem continuar a ser deixadas em roda livre, até porque o resultado que isso deu está à vista nos EUA, mesmo que entre nós a situação não seja igual à que se verificava nesse país líder incontestado do primado do capitalismo mais selvagem.

Pela minha parte vou fazer o mesmo que costumo fazer, mesmo seguro da inutilidade dos meus esforços, vou dirigir-me às entidades do costume, i.e., governo, grupos parlamentares, mais, neste caso, o governador do Banco de Portugal, etc.

É “fartar vilanagem” que o Zé está aqui para ser tramado por todos.
Siga a rusga

Saudações a todo(a)s
Nau Catrineta

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O sistema capitalista e a sua necessária reforma

Essa entidade invisível, hidra de milhares de cabeças, a que se chama “mercado” domina, hoje como desde o primórdio dos tempos, quando o homem começou a trocar bens que produzia, ou tinha em excesso, por outros bens de que necessitava e que outros clãs, tribos ou grupos dispunham.

Esta foi a primeira organização de mercado que regulou a vida das sociedades até ao aparecimento da moeda.

Aí a vida da sociedade mudou e a troca directa foi desaparecendo, embora subsista ainda hoje em locais remotos, e a aquisição de bens necessários pressupunha a venda, primeiro, de bens para realizar capital com que se comprava então aquilo de que se necessitava.

A grande diversidade de moedas que aluíam aos grandes centros comerciais, principalmente na Europa levou ao aparecimento dos cambistas e dos banqueiros com os quais, a partir do século XIII e XIV se pode considerar ter sido iniciada, de forma embrionária embora, que a burguesia desse início à construção do sistema capitalista baseado na geração e acumulação do lucro.

O sistema conheceu um enorme impulso no séc. XVIII com a revolução industrial em Inglaterra que permitiu um súbito aumento de riqueza pelos industriais na época e, logo a partir daqui, não só o artesão se viu incapaz de concorrer com o produto fabril, como o operário se viu, de repente, sem trabalho e, os que conseguiam trabalho na fábrica, tinham de se sujeitar a pagas miseráveis e a jornadas de trabalho inumanas.

Contudo foi só no século XX que se estabeleceu, firmou e afirmou, definitivamente o grande “mercado” caracterizado pelo aparecimento de grandes empresas, industriais, comerciais e financeiras que são verdadeiras “donas” do comércio e fianças mundiais.

Alguns dos gigantescos conglomerados quer financeiros quer industriais, têm orçamentos superiores aos de muitos países, e tem um poderio verdadeiramente incalculável que não tem escrúpulos em utilizar de qualquer forma que sirva os seus interesses.

É nesta situação que nos encontramos quando a falência de um gigantesco banco Americano provocou ondas de choque por todo o mundo com reflexos ainda não totalmente apercebidos nas economias mundiais.

Justamente no país que é o expoente máximo do capitalismo mais puro, mais selvagem, menos regulamentado do ocidente, foi ao estado que coube a função de salvar algumas instituições bancárias e uma seguradora, para evitar um completo descalabro nacional e internacional.

Os fazedores de opinião, economistas, “financistas”, mais todos os istas, sem faltarem todos os políticos de quase todas as cores continuam a fazer “profissão de fé” neste sistema capitalista selvagem, liberal e, para eles, está tudo bem, o sacrossanto mercado tem potencialidades para se regenerar e ultrapassar a crise.

Isto é, as instituições em risco depois de terem sido salvas pelo dinheiro do contribuinte, que pagou igualmente aos gestores de topo dessas casas, prémios de mérito de gestão de milhões e milhões de dólares para as levarem afinal à ruína, poderão recomeçar as suas práticas anteriores, ainda que de uma forma mais controlada, i.e., controlando nações, dominando o mundo.

Entre nós, aparentemente, digo aparentemente porque continuam os inquéritos, averiguações etc., também uma poderosa instituição bancária, andou a jogar com o dinheiro dos seus depositantes, quer perdoando dívidas de familiares e amigos, quer envolvendo-se em nebulosas operações financeiras para compra de capital próprio, influenciando os preços das suas acções (boas?) na bolsa.

A falência dos sistemas socialistas, cedo verificada na ex União Soviética, não permite fazer comparações senão entre estes dois sistemas: o capitalista liberal e selvagem, e o falido sistema socialista soviético, deixando de parte a China que é um modelo distinto, embora tão centralista como o soviético.

A meu ver este paradigma de desenvolvimento e de sociedade terá de evoluir para alguma outra coisa, algo de melhor até que, por sua vez, tenha também ele de ser renovado.

Na verdade não é aceitável que os interesses de alguns milhares ou dezenas de milhares, mesmo centenas de milhares de privilegiados, detentores de capital, possam continuar de forma desbragada e despudorada a “engordar” sobre a miséria de milhões de trabalhadores, muitos dos quais são, eles próprios, a remeter para essa condição.

O facto de algumas, muitas, instituições e empresas fundarem as suas fundações e fundaçõeszinhas de carácter sócio-caritativo, não altera em nada o que disse.

É todo um modelo organizativo, todo um paradigma que está em causa.

Saudações a todo(a)s
Nau Catrineta

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sharia

Notícias sobre a aplicação da Sharia nos países islâmicos continuam a surgir nos media, causando-me sempre o mesmo sentimento de repulsa, horror e incompreensão.
A sharia é aplicada actualmente não só em países árabes como também em países muçulmanos de outras raças.
Não consigo entender, efectivamente, como países árabes herdeiros de uma tão grandiosa civilização, de tantos feitos humanísticos, artísticos, etc. continuam a aplicar uma lei tão selvagem, bárbara e medieval, que pode ser aplicada por qualquer cidadãos comuns a quem os teólogos concedem o direito de avaliar da “corrupção moral” de comportamentos de terceiros, ditar a sentença e aplicar o castigo que determinarem e entenderem.
Nestes países estão constituídas, por todo o lado, milícias que se dedicam unicamente a andar pelas ruas à caça de comportamentos que possam ser considerados “desviantes” para os prender, julgar, mutilar ou matar a seu bel-prazer.
Que na maioria desses países não existe estado democrático já se sabe, mas que continuem a ser considerados estados de direito, só a posse de petróleo pode fazer entender que os países ocidentais, sob a capa da “não ingerência” nos assuntos internos, continue a virar a cara e a beijar a mão aos verdadeiros assassinos que são os chefes de estado desses países.
Desta feita a notícia* de que no Paquistão três jovens fugiram de casa numa tentativa desesperada de conseguirem fugir ao casamento imposto pelas famílias, normalmente enquanto ainda não passam de crianças muito pequenas e arranjados com homens muitíssimo mais velhos.
Foram facilmente encontradas por familiares num “hotel” de uma cidade próxima, arrastadas para o campo onde foram baleadas e, segundo uma testemunha, enterradas ainda vivas.
No ano de 2007 o Supremo Tribunal absolveu, em recurso, seis membros de uma milícia ligada a Musharraf, que haviam sido condenados, em instâncias inferiores, por terem assassinado diversas pessoas, entre elas um casal de namorados que passeava numa rua, e que consideraram “moralmente corruptas”.
Este casal de jovem foi levado para o lago de um jardim público e deitado dentro de água, enquanto membros da milícia se sentavam sobre eles até terem perecido por afogamento.
Até quando?

Entretanto, nos EUA, paradigma da liberdade, a senadora Sarah Palin, governadora do Arkansas, proposta e confirmada para vice-presidente na lista republicana, afirma que a guerra no Iraque é uma “missão de Deus”, colocando-se, em meu fraco entender, ao nível dos fanáticos terroristas que promovem a Jiahd e que, entre outras, destruíram as torres gémeas.

Estaremos a ficar todos loucos ou são os efeitos das alterações climáticas a afectar-nos a psique?

Saudações a todo(as)
Nau Catrineta

Fonte: Expresso, coluna de José Cutileiro

sábado, 9 de agosto de 2008

Temos um estado fundamentalista que tudo quer regular até ao mais ínfimo detalhe, chegando a entrar abusivamente na privacidade e na liberdade de cada um (veja-se por exemplo a aberração da proposta de legislação sobre as tatuagens e “piercings”.

Na verdade só encontro paralelo nesta obsessão reguladora do estado no Corão.

Quem se der ao trabalho de ler este livro sagrado constatará que toda a vida do Crente está regulamentada até ao mais ínfimo detalhe da sua vida pública ou privada.

O nosso estado está a enveredar pelo mesmo caminho.

Agora vem um comandante pela área marítima do sul, como sempre todos fazem, estribado em leis, regulamentos, normas etc., desta feita emanadas pela CCR local, que não tem mais nem melhor que fazer, proibir não só as massagens dadas na praia como, ainda mais aberrante, a distribuição de maçãs numa praia para a realização de uma campanha contra a gravidade do aumento da obesidade.

Os argumentos são, no mínimo aberrantes.

No caso das massagens, diz sua Excelência, que sabe como começa uma massagem mas não se sabe como acaba.

Estes novos inquisidores do século XXI estarão, não tarda, a proibir que homens ou mulheres, espalhem protector solar no corpo de outrem, não vá o diabo tecê-las e a coisa avançar para algo mais que isso.

Ficar a receber massagens das ondas nas pernas cansadas ou varicosas está igualmente em risco de ter um termo á vista, não vá a coisa, o bem-estar e o alívio provocado pela suave massagem provocar algum súbito orgasmo em alguém.

Para as maçãs avançam com outra explicação, a de que a praia é para ir a banhos e outras actividades, para além das puramente lúdicas, não cabem no direito ao uso das mesmas.

Alerta, alerta vendedores de bolas de Berlim, de batatinha frita, de gelados, de refrescos.

Os vossos dias estão contados.

Os Torquemadas, fundamentalistas, primeiros e últimos guardiões da moral e bons costumes, do nosso direito de torrar ao sol sem direito a comer uma peça de fruta ou saborear um gelado, aí estão.

Vigilantes, atentos, rigorosos, intransigentes, não lhes vou chamar aqui o que me apetecia.

Os homens não são asnos, coitados, limitam-se a cumprir ordens.

Os nazis também se limitavam a fazer o mesmo.

Saudações a todos(as)
Nau Catrineta



sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Privilégios

Sua Excelência o Senhor Presidente da República foi a banhos.

Sua Excelência trabalhou o ano inteiro e tem direito a merecidas férias.

Todos os outros trabalhadores também, pelo menos segundo o que reza o Código do Trabalho.

Se por férias se entender simplesmente uma ausência do local de trabalho, temos que os trabalhadores portugueses, na generalidade, vão de férias.

Mas, se por férias, se considerar uma fruição do tempo de férias de uma forma lúdica, aplicando-o em tempo de lazer e actividades fora de portas, que lhe permitam efectivamente “recarregar baterias” e, com a família os que a têm, sair da sua residência habitual e ir, por exemplo, como sua Excelência, a banhos, então o caso muda de figura.

Na verdade a actual situação do mercado de trabalho, com toda a sua precariedade e salários mínimos, faz com que à maioria sobre sempre mês para o rendimento que auferem.

Para esses, férias fazem parte de um imaginário que não podem conhecer como sua Excelência o Senhor Presidente.

Mas sua Excelência não se limitou a ir de férias para usar uma praia privativa, não, para sua Excelência, pessoa que considero equilibrada e ponderada, isso não bastava para marcar a sua diferenciação em relação aos seus concidadãos.

Sua Excelência lembrou-se, de repente este ano, que podia vincar mais a distância que o separa dos cidadão que, tendo ou não férias efectivas, gemem vergados ao peso dos impostos, à tirania dos bancos que lhes confiscam, sem dó nem piedade, as casas cujas prestações deixaram de poder pagar pontualmente, e manda fechar, para sua segurança está bem de ver, o espaço aéreo sobre uma área que sendo seu e de seu usufruto exclusivo, é um espaço de todos nós, chamando também para seu uso exclusivo o céu sobre sua iluminada, prestigiada e ilustre fronde.

No meu entender um excesso verdadeiramente chocante e sua Excelêcia excedeu-se na sua afirmação da sua diferença.

Mas isso sou eu a dizer que, notoriamente, não sei o que digo.

Saudações a todos(as)
Nau Catrineta


sexta-feira, 25 de julho de 2008

Dádivas de sangue

Mais um daqueles apelos que cíclica e alarmisticamente aparecem a pedir sangue.
Abaixo a notícia e dois comentários que publiquei a respeito do assunto
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Apelo “urgente” à dádiva de sangue

O Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, lançou um apelo "urgente" à população para que dê sangue, de forma a repor as reservas e evitar a ruptura naquela unidade hospitalar.
"Ainda não estamos em situação de ruptura, mas as reservas de todos os tipos de sangue estão muito abaixo das necessidades do hospital, o que tem levado ao adiamento de algumas cirurgias programadas, para atender os casos de emergência", revelou o director do Serviço de Imunohemoterapia do hospital à Agência Lusa.
Segundo Roger de Oliveira, a diminuição "brusca das reservas de sangue" deveu-se à necessidade em socorrer três doentes com hemorragias do aparelho digestivo, dois do Norte do País e um britânico, tendo-lhes sido administradas mais de 30 unidades de sangue a cada um.
Face à falta de sangue, Roger de Oliveira alertou para a "necessidade urgente" de repor as reservas, pois, segundo disse, "se surgirem doentes a necessitarem de sangue com urgência, o hospital poderá não ter capacidade para dar resposta".
"Caso se verifiquem situações urgentes, os doentes terão de ser transferidos para outros hospitais, o que acarreta riscos", observou aquele responsável, sublinhando ter sido "já pedido auxílio ao Instituto Português de Sangue".
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Dei sangue muitos anos e em muitos lados e chegava a ser chamado para dar sangue em ocasiões de mais necessidade, em virtude de ser ORH- (dador universal).
Sou asmático de nascença, isto é portador de DROC e nunca isso inibiu as instituições de recolherem e distribuírem o meu sangue.
Há cerca de 2 anos, pretendendo fazer nova dádiva, fui notificado pelo jovem médico que superintendia ás recolhas que, pelo facto de ser portador de DROC não poderia dar sangue.
De nada valeram os protestos, os computadores passaram a exibir essa proibição completamente descabida, face ao passado.
Por mim, o meu sangue está muito bem onde está e não me incomoda nada, pena dos que dele podem necessitar para se salvar.
Saudações
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Cronicamente a imprensa traz a público notícias mais o menos alarmistas de falta de sangue aqui ou ali.
A este respeito sou de opinião que os principais responsáveis por essa falta cíclica de sangue são as instituições de saúde e, em particular, o Instituto Português do Sangue ao reduzir drasticamente os pontos de colheita, que deixaram de existir em muitos hospitais.
Para além disso, as recolhas foram e são sempre feitas nas horas de trabalho normal de qualquer cidadão, horário da função pública, com pausa para o almoço etc.
Ora, tratando-se de uma dádiva, o mínimo que se pode exigir dos serviços é que se organizem de molde a facilitar a vida aos dadores e não a inversa.
O facto de ser passada uma "justificação" de pouco ou nada serve, quando os imperativos de trabalho exigem a presença e o esforço de cada um.Estes "choradinhos" usuais não me comovem nem me impressionam.
Organizem-se!
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Saudações a todos(as)
Nau Catrineta

Certificados de Aforro

Desde que o governo entendeu numa atitude de prepotência, que desde sempre o caracterizou, contra os mais "pequenos" e modestos aforadores, alterar no princípio do ano, as condições de subscrição dos certificados de aforro, série B, reduzindo substancialmente os prémios.
A resposta dos aforradores não se fez esperar e, desde essa data, os resgates desses certificados já somam mais de 600 milhões de Euros, sendo que a diferença negativa entre os certificados resgatados e os da nova série C, atinge os 85 milhões de euros.
O governo que contava só com a sua esperteza para defraudar as expectativas desta classe de aforradores viu, assim, sair-lhe o tiro pela culatra.
Por mim não se compraria nem um certificado de aforro.
Abaixo a mensagem dirigida, então, a Sexa. o Sr. Primeiro-ministro e, com as devidas adaptações, ao Ministro da Finanças, Sexa. o Sr. Presidente da República, grupos parlamentares, etc.
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Exmo. Senhor Primeiro-ministro,

Venho de novo tentar que a V. Exa. continuem a chegar ecos da insatisfação que grassa e aumenta, dia a dia, entre os cidadãos deste País, pelas medidas contra eles tomadas pelo governo da Nação.
No uso das suas prerrogativas decidiu o governo alterar as regras e taxas de juro a que se encontravam sujeitas as aplicações feitas em Certificados de Aforro (CA).
Não se duvida, nem se pode, da cobertura legal para a iniciativa tomada, questiona-se antes a moralidade e justiça da mesma.
Com efeito que uma das partes, a possidente, altere unilateralmente um contrato firmado de boa fé, só por entender que tal lhe é mais favorável não é, não pode ser, em caso algum, uma actuação que não mereça enérgicos e veementes protestos que, não fora a desproporção de forças, daria lugar, seguramente, a uma forte peleja judicial movida pelos segundos outorgantes destes contratos contra o primeiro.
Os sucessivos governos acarinharam e incentivaram esta forma de aforro que, a par das obrigações, especialmente as obrigações do tesouro, foram as aplicações preferenciais para os pequenos aforradores, sem meios e/ou conhecimentos para se arriscarem na bolsa.
O Governo vem agora, numa altura em que os juros, suportados pelos cidadãos quando contratam empréstimos bancários, aumentam significativamente, reduzir os que se propõe pagar e penalizar, mais uma vez, os mais pequenos, os mais fracos não só por essa via, como pela da alteração de prazos para resgate dos CA com direito a receber o prémio integral.
Dir-se-á que os aforradores são livres para resgatarem os certificados e escolherem outras formas de aforro e, sendo isso verdade não o é menos que não serão menos prejudicados.
Não se entende igualmente a que “justiça fiscal” se refere o Exmo. Senhor Secretário de Estado quando vem defender tão injusta medida.
Qual justiça afinal?
A de retirar aos mais fracos, aos mais pequenos, mais vulneráveis, regalias a que o Estado se tinha livremente comprometido, deixando de lado rendimentos puramente especulativos, que continuam a merecer tratamento especial?
Quem poderá acreditar na palavra deste Governo que para além de se cobrir de opróbrio com estas actuações, lança também sobre os vindouros a sombra de desconfiança dos cidadãos sobre a palavra de um estado que muda, a seu bel-prazer, contratos firmados.
O descrédito sobre a política e os seus fautores aumenta de dia para dia, bem como o fosso que separa o cidadão comum da política e da classe política em geral, na constatação de que a palavra empenhada mais não é do que uma ferramenta de conjuntural conveniência.
Respeitosamente
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Saudações a todos(as
Nau Catrineta

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pão e Circo

Morre Gente em Portugal de Fome?
MORRE!
Foram a leilão mais de um milhar de fogos no 1º semestre deste ano, sob as ordens, instruções e a mando da cupidez dos bancos que não querem renegociar as dívidas do crédito à habitação?
FORAM!
Há algum plano gizado pelo governo com o suporte da Caixa geral de Depósitos para acudir às famílias que estão a perder as suas casas ou em risco disso?
NÃO!
Aumenta a corrida aos diversos bancos alimentares contra a fome?
AUMENTA!
Aumenta a pobreza envergonhada?
AUMENTA!
Aumenta o desemprego?
AUMENTA!
Cresce a perca de poder de compra corroída pela inflação?
CRESCE!
Há dinheiro para perdoar a dívida a S. Tomé e Príncipe?
HÁ!
Há dinheiro para perdoar a dívida a Moçambique?
HÁ!
Há dinheiro para pagar pensões e reformas dignas?
NÃO!
Há dinheiro para novo aeroporto?
HÁ!
Há dinheiro para TGV onde se vai, entre outras coisas, poupar 20 ou 25 minutos no trajecto Lisboa-Porto?
HÁ!
Há dinheiro para proporcionar um acesso ao direito e a defesas oficiosas para quem ganhe uns cêntimos, ou mesmo Euros, acima do salário mínimo de fome?
NÃO!
Há dinheiro para tirar de luras, grutas, tugúrios sem luz, sem água, sem esgotos, famílias inteiras, idosos sós incluídos?
NÃO!
Há dinheiro para uma nova frota auto para os dedicados servidores do Estado?
HÁ!
Há dinheiro para um ror de barragens, uma das quais vai arruinar sem dó nem piedade o rio mais puro e selvagem de Portugal?
HÁ!
Há lata e nervo para pretenderem roubar aos consumidores pagantes de energia eléctrica aquilo que outros não pagaram e que a incapacidade do fornecedor não cobrou?
HÁ!
Há dinheiro para que a televisão pública, paga por todos por duas vezes (através do orçamento do estado e através da taxa de radiodifusão incluída na factura da electricidade), vá ao mercado comprar exclusivos de transmissão de jogos de futebol?
HÁ!

HÁ DINHEIRO PARA QUASE TUDO MENOS PARA O QUE É IMPORTANTE.
ARRANCAR GRANDE PARTE DESTE POVO DA SITUAÇÃO DE CALAMIDADE EM QUE SE ENCONTRA.

CIRCO TEMOS COM FARTURA. PÃO CADA VEZ MENOS!!!

HAJA VERGONHA!!

Vergonha Nacional


sábado, 19 de julho de 2008

Trabalho, exploração e abusos

Continuarei a partir de hoje a denunciar situações de abuso e exploração de trabalhadores muito para além do que é legítimo, lamentado que, a ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) não façam mais surtidas, tipo ASAE e detectem, “in loco” e em flagrante este tipo de situações.
Concedo que é uma tarefa difícil, até quase impossível pelo simples facto do trabalhador, ainda que super-explorado, se tornar conivente com uma situação para a qual a alternativa será o desemprego sem dó nem piedade.
Contudo a simples constatação da ausência de alguns instrumentos, tornados obrigatórios pelo Código de Trabalho (Registo de Presenças Diário, Seguro Contra Acidentes, implementação do serviço de Higiene, Segurança e Saúde, etc.) permite, desde logo, aferir do modo como o auto-denominado “empresário” olha para as suas obrigação e para os direitos dos trabalhadores e proceder a investigação mais aprofundada das condições de trabalho, agindo em conformidade em caso de violação e desrespeito.
Não sou dos que diabolizam todos os patrões, nem que colocam em peanhas os trabalhadores.
De um lado haverá empresários, que independentemente de pagarem melhor ou pior, respeitam o trabalhador e lhes concedem o que deles é por direito, cumprindo concomitantemente com o que a lei determina.
Do outro o patrão que espezinham o trabalhador e os seus direitos concedendo-lhes obrigações sem quaisquer direitos, outro que, o pagamento de um salário mínimo, muitas vezes contra a apresentação de recibo verde comportando-se como verdadeiros "negreiros".
Do lado dos trabalhadores há e haverá os cumpridores e esforçados e os laxistas que, principalmente na actual situação de mercado verão os seus contratos não serem renovados.
A denúncia das situações que me vão chegando ao conhecimento será feita em documentos separados deste.
Saudações a todos(as)
A Nau Catrineta

terça-feira, 15 de julho de 2008

Sociedade, etnias e guetos

Sempre me tive como não racista, não xenófobo.

Esta apreciação lisonjeira de mim mesmo está estribada na minha experiência de vida, na minha capacidade de relacionamento com gentes de todas as cores e credos, pelas minhas vivências aqui e por distantes paragens, onde fiz, tenho e quero conservar amigos.

Amigos entre judeus, africanos católicos, animistas e outros, árabes e muçulmanos e indo-descententes.

Com todos fiz amizades que prezo e mantenho.

Tinha portanto, de mim, uma imagem não racista e não xenófoba.

Os recentes acontecimentos, nos arredores de Loures, vieram abalar esta bonomia de mim mesmo.

Não pelos acontecimentos em si mesmo, graves, intoleráveis, inadmissíveis mas que, quero crer, sejam uma explosão isolada de um mal-estar social de há muito instalado entre minorias étnicas e na sociedade em geral.

Não me deterei na análise sociocultural dos benefícios ou malefícios do acantonamento de gentes em guetos.

Para além do fenómeno ser conhecido e de estarem identificados os seus malefícios, falta-me, para tanto, conhecimento, engenho e arte.

O que efectivamente me abala é o facto de uma etnia, no caso a cigana, a quem foram distribuídas casas, pelas quais tantos e tantos portugueses, tão ou mais carenciadas delas que os membros dessa etnia, almejam e não alcançam, possam vir reclamar-se e arrogar-se do direito á atribuição de uma nova morada, chegando a choramingar para os noticiários que estão a viver “na rua” por não disporem de mais nenhuma outra habitação.

É isto que me abala fortemente.

Ver um grupo de cidadãos, autores, co-autores, fautores, participantes em cenas dignas do oeste selvagem, ou de um qualquer país em guerra, serem recebidos por presidentes de câmara e outras autoridades, para reclamarem um novo poiso, concedido, evidentemente, à custa de todos nós, por se sentirem inseguros.

Coitados, eles não estavam armados e a disparar, eram só outros.

Haja decoro que paciência já vai faltando.

Saudações a todos(as)
A Nau Catrineta

segunda-feira, 14 de julho de 2008

SNS

Mensagem a Sexa. o Ex-Ministro da Saúde, Correia de Campos

Exmo. Senhor Ministro,
O governo tem vindo, através de V. Exa. a prosseguir uma reforma no SNS apregoada como defensora dos direitos e interesses dos beneficiários do sistema.
Essa reforma tem vindo a crescer com alguns dos nefastos resultados visíveis, mau grado o discurso, sempre optimista de V. Exa., assenta em número de utentes, actos médicos praticados, aqui e além, e em estatísticas.
Tendo em consideração que o discurso e a prática são coisas bem distintas aqui Lhe deixo o meu:

___________________________________________________
Contributo para a avaliação do estado de saúde do SNS,
Ou
Como se pode morrer, estupidamente, no meu País

SINOPSE

Cerca de 17,00 horas foram necessárias para que um paciente, sofrendo de uma patologia potencial (e muitas vezes) fatal, desse entrada num bloco operatório onde a sua vida poderia ser salva.

2006 um dia qualquer, 10,30 h (manhã)

Caminho numa rua, a mão empunha já a chave do carro já ali estacionado.

Uma dor excruciante, intensa, brutal, avassaladora invade-me o peito.

Recolho a chave, encolho a mão e, com custo imenso percorro a meia dúzia de metros que me separam de uma esplanada onde me deixo abater sobre uma cadeira.

As pessoas em redor não notam o meu sofrimento, a dor que invade o corpo, paralisa o cérebro, e não deixa lugar para mais nada a não ser ela própria.

O pânico instala-se.
É desta, o coração está a trair-me.

Venço a dor, em puro reflexo, pego no telemóvel e peço à minha companheira, a essa hora no emprego, que peça socorro.

Conversa breve que a dor nem permite explicar-lhe bem o que passava.

Dois, três? Minutos depois uma chamada de retorno.

O auxílio vinha a caminho.
Aguardo sentindo a dor fluir e refluir, intensa, brutal.

Outra chamada.

Uma voz feminina diz-me ser do “112”.
A voz que soa áspera, ainda que não seja mais que profissional, inquisidora, admoesta-me por não a ter contactado em primeiro lugar preferindo ligar para os bombeiros locais.

A dor aperta, o cérebro estreita-se no sentir da dor, e a voz continua. Agora querendo respostas, exigindo respostas.

Como era a dor, onde era, o que sentia, como me chamava, que idade tinha, e a voz não parava de exigir o que não conseguia dar-lhe; respostas claras e rápidas.

A chegada da ambulância dos bombeiros locais pôs fim ao tormento.

Sou conduzido ao centro de saúde local.

@10,45/10,50 H. Sou examinado no centro de saúde local e mandado evacuar para o hospital regional mais próximo a cerca de 20Km.

@ 11,15/11,20 H. Se bem me recordo nem passo pela triagem e vou directo para o balcão.

Começa uma longa maratona de análises, RX, exames, medições de ritmos e parâmetros vitais, conferências entre internos.

A dor acalmou graças a alguns fármacos ministrados com soro.
A angústia, o medo acentuam-se.
A “coisa” não parecia fácil.
O diagnóstico claro, insofismável, tardava.
Os clínicos decidem que necessitam de uma ecografia.
O hospital regional não conseguia, não tinha técnicos, ou meios, ou o que fosse para àquela hora (cerca das 14,00 h) fazer o exame requerido.

@ 16,30 H. Sou enviado para o exterior, para uma unidade privada, para realizar a ecografia pedida.
Aguardo pela minha vez e sou mandado de volta ao hospital.
@ 17,30? H. Mais conferências, mais exames.
A suspeita dos médicos está mais sustentada, mas eu não sei de que se trata e a angústia aumenta.
Minha companheira já tinha estado comigo, estava na sala de espera, mas não sabia se voltaria a ver minhas filhas, minha mãe.
@ 17,00 H. A equipa clínica decide que não tem meios para me valer e enviam-me para o hospital da minha área de residência em Lisboa, o S.F.Xavier.
Noite fechada a caminho do hospital, com uma médica e um enfermeiro.
A dor adormeceu. Resta o medo. As vibrações da estrada sobem directas para a maca e incomodam.
A viagem nunca mais acaba.
Pelo caminho falo com minhas filhas, procuro que se não assustem.
Falo com a minha companheira.
Peço que não alarmem a minha mãe, já velinha e que não lhe digam nada.
Já perdera uma filha e queria poupá-la o mais possível.
@ 20? 20,30? H. Finalmente o S.F.X. De novo passo directo para o balcão de homens.
A equipa interroga-me. E, de novo, as analises, e uma, agora, completa bateria de exames, que passam por uma TAC.
A equipa chegou a um veredicto e informa-me; Aneurisma dessecante da aorta.
Patologia bastas vezes fatal se não socorrida em tempo útil.
O hospital não estava em condições de proceder à, cada minuto mais urgente cirurgia, e procura um hospital com disponibilidade.
Aparece uma possibilidade; o Hospital da Cruz Vermelha.
@ 24,00 H. No Hospital da Cruz Vermelha são convocados cirurgiões e equipa.
@ 4,00 H. Entro finalmente no bloco operatório e os cirurgiões dão início ao procedimento que me salva a vida.
Questões
De que está o Sr. Ministro a falar quando, encerrando SAPS, diz que o objectivo é concentrar meios técnicos e humanos em hospitais capazes de acolher em condições satisfatórias os que para lá são conduzidos, quando se vê que um
hospital regional não tem condições para realizar uma ecografia, não dispõe de TAC, não falando já em RM?

Que política é esta em que os profissionais de saúde não têm “traquejo” bastante, para, apesar de toda a sua abnegação e esforço, detectarem precocemente a incapacidade da unidade para tratamento da patologia em presença e promoverem a urgente evacuação.

Que política é esta onde perante a suspeita, quase certeza, da gravidade do quadro um cidadão faz mais de 100 km por estrada para chegar a um hospital?

Que política é esta onde os profissionais de origem e os de destino não conferenciam entre si antes de tomarem a decisão sobre que unidade deverá acolher o paciente, encurtando horas preciosas para o auxílio?

Bombarral, MMVII.I.IXX
A Nau Catrineta

INEM e SNS

Mais uma vítima de alegadas demoras do INEM em acorrer a um pedido de socorro.
Desta vez a vítima é uma criancinha de 5 anos falecida em Vila Meã na sequência de um ataque de epilepsia.
Não se pode esperar que, em nenhum país deste nosso mundo, haja uma ambulância a cada esquina ou um helicóptero em voo pairado sobre cada bairro á espera de um chamamento.
A assistência tem progredido mas continua a haver uma descoordenação e um “puxar de galões” do lado do INEM que conduz a situações trágicas e, quiçá, evitáveis.
Se o problema começa na coordenação ou falta dela entre INEM e bombeiros, prolonga-se depois por toda a rede de cuidados de saúde.
Publico aqui, duas mensagens, neste “meu” cantinho.
Uma é falada na primeira pessoa e relata a assistência que me foi prestada aquando de acidente vascular grave que me acometeu.
A outra respeita às demoras e carências do INEM.
Saudações a todos(as)
A Nau Catrineta

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Madie

O caso "Madie" parece estar morto.
Nada que me surpreenda muito embora o lamente demais.
A criança merecia mais e os pais, se não fautores, cumplices ou autores, também.
Foram empregues meios sem precedentes e, quiçá, sem procedentes.
Aqui fica algo que escrevi no início desta saga.

********************************************
Desapareceu uma criança, pequenina, tão pequenina ainda!
Uma nuvem negra abate-se sobre todos nós e um punho de ferro aperta-nos o coração na angústia dos pais e nos terrores da criança.

O Rapto

Vieram guardas e polícias,
marinha, aviação,
vieram tropas e cães,
carros, navios, helicópteros,

espingardas e peritos,
Diplomatas, jornalistas
de jornais e de revistas,
rádios, televisões,

vieram turistas e nativos,
Ociosos e curiosos.
Bateram cidades e montes,
mares, praias e poços,

buscaram pr’além do que
a vista alcança,
e não deram com a criança.
Venham todos,

venham mais,
que todos não são demais,
para pôr fim ao terror,
para matar a dor.

E que, quando aos nossos tocar,
sem Diplomatas, jornalistas,
de jornais e de revistas,
rádios, televisões,
então
nessa altura,
venham logo,
venham todos,
venham mais,

que todos não somos demais,
para pôr fim ao terror,
para matar a dor.

Venham todos,
Venham mais,
Logo.

Bombarral, MMVII.V
Saudações a todo(as)
A Nau Catrineta

sábado, 5 de julho de 2008

sociedade. A greve do pessoal de terra da Tap (Ground Force)


Sou, na generalidade, a favor dos que pelo trabalho esforçado e suado conseguem ir, cada vez pior, sobrevivendo.

Sou contra as injustiças sociais;

Sou simplesmente contra toda a injustiça;

Contra a arrogância e prepotência;

Contra o empresário que paga salários de fome em podendo pagar bem, ou menos-mal;

Sou contra a exploração desenfreada, sem regras nem limites que se consente;

Sou contra a ineficácia da ACT (antigo IGT – Inspecção-Geral do Trabalho);
Sou contra uma adminstração de justiça a três velocidades, uma para gente como eu, outra para os possidentes, e uma terceira, essa defunta de todo para os pobres.
Sou contra um Sistema Nacional de Saúde onde se deixam morrer cidadãos à espera de cirurgias, cuidados ou transporte.

Sou contra as baias legais impostas pela Segurança Social para a concessão de apoio judiciário a trabalhadores que queiram litigar com patrões ou antigos patrões que se locupletaram com: impostos e taxas retidos e não entregue; que não pagaram o salário e outras prestações pecuniária previstas nos CCT ou na Lei, quem para eles trabalhou.

Sou contra a fome;

Sou contra a guerra estúpida, bárbara, e cruel;

Sou contra os gastos e armamento em detrimento do investimento na investigação científica em prol da saúde;

Sou, mau grado ter idade para ter juízo, um revoltado.

Mas não entendo, não aceito, a greve das gentes da Ground Force, cujas justificações apresentadas na TV por um seu representante, evidenciando claros sinais de subnutrição.

Na verdade toda essa gente ganha muito acima da generalidade do trabalhador médio.

Usufrui de um leque vasto de outras regalias, incluindo infantários, refeitórios etc.

A Tap foi apanhada, tal como o País e cada um de nós, por uma situação, quiçá previsível, mas repentina, de aumento brutal dos custos de combustível que vieram por em causa todo o esforçado trabalho de recuperação da empresa.

Os trabalhadores não têm culpa da situação, é bem verdade, mas será que, nesta conjuntura, quando milhares de seus compatriotas são barbaramente atirados para o desemprego sem que alguém lhes valha ou acuda, não seria de repensar a oportunidade desta greve?

Mesmo que a manutenção dos salários implique alguma perda de rendimento?

Esta greve não concita a minha simpatia ou meu aplauso ou compreensão.

Se despedimentos sobrevierem na empresa poderão agradecer a si mesmos.

Saudações a todos(as)
A Nau Catrineta

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Futebol, o Sr. Mourinho

Eu, bloguer neófito, me confesso, ao arrepio da tendência e do gosto geral dos meus compatriotas, como um não amante do futebol.

É desporto que nunca me despertou atenção ou simpatia, nem sequer quando, em garoto, a “malta” da minha idade dele fazia a forma última de distracção e passagem de tempo.

Fiquei adepto do FCP, para quem possa ser tão desinteressado quanto eu – Futebol Clube do Porto – porque meu Pai, que descanse em paz, era, como bom nortenho, desse clube.

Assisti ao vivo a dois desafios de futebol.

Um, pela mão de meu Pai, em criança, para assistir a um Benfica-Porto, ganho por este último, e um outro a pedido de minha Mãe, que Deus lhe consinta uma longa presença entre nós, para que um dos meus irmãos mais pequenos pudesse assistir a um jogo internacional, curiosamente também envolvendo o Benfica com quem já me não lembro.

A partir dessa última experiência acentuou-se o meu divórcio com o chamado “desporto rei” e hoje, só assisto e gosto a jogos de finais de taça e/ou campeonato e a jogos da selecção portuguesa.

Fora disso o que mais quero é distância desse mundo de alienação colectiva, como outros mais.

Apesar disso acompanho, por alto, e também porque não tenho outro remédio, já que o futebol, quer eu queira ou não, me é servido em doses industriais pelas televisões, mesmo nos serviços noticiosos, o que se passa de mais importante nesse universo.

Foi assim que assisti ao fim da telenovela da contratação do Sr. Mourinho, figura que me causa uma certa urticária, não pelo que ganha, nem pela importância que julga ter e daquela que lhe atribuem, mas pela sua arrogância que chega a raiar a falta de educação.

Foi assim, vergado aos caprichos dos noticiários televisivos, que fui “obrigado” (digo obrigado porque o sou mesmo, de nada me adiantando mudar de canal, porque se não é no que estou a ver no momento, será no outro para o qual mudei) a assistir à conferência de imprensa dada pela ilustre personagem quando a Itália arribou.

Imbuído da importância da sua transcendental missão de salvar o Inter de Milão.

Um acto trivial, banal e corriqueiro nesse mundo onde os seus actores tão depressa chamam os media para conclaves, com mais ou menos interesse, como se arvoram em donzelas pudicas e ofendidas, fazem birrinha, batem o pé e se recusam a falar com os jornalistas.

Trivial portanto.

Menos trivial e, para mim, difícil de ultrapassar a glote o facto do Exmo. Senhor Mourinho, do alto da sua gigantesca importância, se ter recusado falar em português para os repórteres cá do burgo que, como sempre, atentos, venerandos e obrigados, esmolavam a atenção do senhor.

Não. Português não, que me distrai do recém aprendido idioma italiano.

Por si só esta caricata e ridícula manifestação de novo-riquismo rendido ao seu próprio brilho já seria chocante mas, estava para vir o pior quando, de seguida, também a altíssima personalidade, se põe, também ela de cócoras, para responder em inglês aos repórteres da terra de Sua Majestade.

Filhos putativos de uma Pátria que se queria mais mãe que madrasta, esta nova geração de emigrantes milionários, não desdenham uma oportunidade de achincalhar.

Sei que muita gente ficará incomodada comigo, irritada mesmo, porque a estes ídolos se não podem apontar fraquezas ou defeitos.

Assim seja.

Digo o que sinto e penso.
Saudações a todos(as)