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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Fim do voto por correspondência dos emigrantes

Não sei as veras razões subjacentes ao fim do voto dos emigrantes por correspondência.

Sei o que ouço por parte do poder instalado e o que ouço pela parte das oposições.

Nada do que ouço, nem dum lado, nem do outro, é suficientemente claro para aquilatar das razões verdadeiras.

O que eu sei é que isto é mais uma machada nos direitos dos emigrantes e uma facada na democracia instituída, da qual os emigrantes são, enquanto Portugueses, parte integrante e com tantos direitos quanto eu em matéria de cidadania, mesmo se trabalhando e vivendo fora de Portugal.

Esta decisão vai, irremediavelmente, afastar das urnas um número incalculável, por enquanto, de eleitores, mas, se calhar, até é isso mesmo que se pretende.

Se a tendência absentista seguia, entre os emigrantes, a par com a dos residentes em solo luso, vai, sem sombra de dúvida, aumentar em flecha.

Seria preciso ser muito distraído, e o poder em exercício não o é, pelo menos em matéria de votos, para desconhecer a realidade da emigração, dos territórios que ocupa e das dificuldades que enfrenta para não antecipar esse resultado.

Conhecendo pessoalmente três dos continentes, ou partes mais ou menos significativas deles, por onde a diáspora portuguesa se espraiou, sei que o voto presencial será virtual e materialmente impossível para a maioria.

Na Europa, onde existem transportes cómodos e rápidos, ainda assim uma deslocação para votar pode implicar um dia inteiro a essa tarefa dedicada com custos não negligenciáveis.

Em muitos países Africanos essa deslocação só é possível de avião, obrigando, por vezes a pernoitar na(s) cidade(s) onde se encontram os Consulados, com um dispêndio de tempo ainda maior e o dispêndio de muito mais dinheiro.

Na América do Norte e Canadá o panorama é semelhante ao dos países Africanos no que respeita a distâncias a percorrer e aos custos envolvidos, enfim, talvez os custos de deslocação possam ser, para alguns, um pouco mais baixos.

Esta decisão é, portanto, uma péssima decisão, que só cérebros tão obcecadamente certos da sua infalível verdade não querem ver.
Saudações a todo(a)s
Nau Catrineta

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A palavra também se abate

Os poderes públicos sempre se mostraram incomodados com a liberdade de expressão e de opinião.
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Nalgumas democracias essa liberdade de opinião e de expressão deixou, há muito, de ser perseguida, enquanto que noutros, que se auto proclamam de democracias, continua a ser perseguida e, sempre que entendido, punida.

Depois do cidadão comum a quem é coarctada essa liberdade e, facilmente, espancado, preso, torturado e até morto ou feito “desaparecer”, são os jornalistas e os membros de ONG os alvos a abater pelos “donos” dessas “democracias”.
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O poder da palavra e da imagem continua a fazer tremer essa clique de dirigentes que não querem ver expostas as suas acções e omissões.
Mesmo em Países onde reina alguma liberdade e a democracia é praticada em moldes ocidentais essa tentação é passada à prática com facilidade como, na semana passada, em S. Tomé e Príncipe, País que tanto preso, onde as autoridades deram ordem de expulsão a um jornalista “freelancer”, com um vasto curriculum de documentários realizados um pouco por todo o mundo, acusando-o vagamente de “estar a mexer em coisas perigosas”.
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E Isto num País a quem Portugal acaba de perdoar a gigantesca dívida.
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Em Angola mais um jornalista foi condenado à prisão acusado de cometer um crime contra a segurança do estado e nem o facto desse homem estar, à data dos factos que lhe são imputados, bem distante do local onde estes teriam ocorrido lhe valeu, tal como de nada valeu a confirmação de tal facto por parte da sua entidade empregadora, uma empresa estrangeira, lhe valeu.
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Na Venezuela membros da ONG Human Right Watch receberam também, na passada semana, ordem de expulsão do País por terem publicado um relatório denunciando os atentados aos direitos humanos e liberdades cometidos pelo regime de Hugo Chavez.
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Tudo isto numa semana só.
Tudo isto em Países com quem Portugal tem relações e Países produtores de petróleo, ainda que no caso de S. Tomé tal exploração seja incipiente.
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Tudo dirigentes, com excepção de Fradique de Menezes de S. Tomé, a quem o Governo Português vai ao beija-mão com o chapéu na mão.
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A palavra também se abate, ontem como hoje.
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Uma tristeza.
Siga a rusga que valores mais "altos" se levantam!
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Saudações a todo(a)s
Nau Catrineta