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sábado, 9 de agosto de 2008

E já que falei em obras públicas e desvios orçamentais aqui fica mais um exemplo.
Entrou ao serviço, finalmente em 2008, o túnel do Rossio, encerrado para obras desde o Verão de 2004.
Nesta obra o contribuinte teve sorte, o desvio foi só de 7,7 milhões de Euros segundo umas fontes ou de cerca de 9 milhões segundo outras.
Veja agora a diferença entre esta obra, feita hoje, com tecnologia de ponta, e a obra original.

Iniciado durante em 1887, no reinado de el Rei D. Carlos I, de nome Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota, em 1887, foi inaugurado em 1900.

Com uma extensão de 2600 m foi construído, na sua quase totalidade, atravessando maciços de calcário, numa época em que a maquinaria era a vapor e incipiente.

Palavras para quê?
A teta do orçamento continua a jorrar milhões em sobrecustos, obras a mais, alterações, e tudo o mais a que as empresas de obras públicas possam deitar mão, para aumentar os valores das empreitadas.
Saudações a todos(as)
Nau Catrineta

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Obras públicas, custos

A ponte Rainha Santa em Coimbra com alguns anos de atraso, como usual, sobre a data de conclusão prevista, aí está faz tempos, ao serviço de todos e em especial dos conimbricenses.

Sobre os atrasos são pecha das nossas obras públicas à qual ainda nenhum governo dedicou seriamente a sua atenção.

As justificações são as usuais.

Obras a mais, necessidade de alterar o projecto inicial, dificuldades não previstas com os solos, etc. etc.

Os atrasos, tal como a morte, têm sempre uma justificação.

Com os atrasos vêem o aumento de custos que, também eles, tem sempre justificação.

Nesta obra em particular os sobrecustos atingiram proporções verdadeiramente escandalosas, mesmo num País como o nosso a ele habituado e conformado?, atingindo o montante de mais de 380%.

Verdadeiramente espantoso.

E que fez o anterior presidente das Estradas de Portugal em relação ao inquérito que a tutela ordenou?

Simples, propôs o seu arquivamento procurando que os salpicos deste lamaçal não o atingissem.

Qual Rainha Santa dos tempos modernos o Exmo. Senhor presidente das EA nos encontros que tinha com os altos responsáveis das empresas construtoras, aparecia sempre transportando uma curnucópia dourada bem agarradinha ao peito e exibia o seu mais seráfico sorriso.

Questionado pelos seus contratados se transportaria rosas em tão bela curnucópia, rasgava mais o seu seráfico, quase beatífico sorriso e, virando para o solo, respondia:

Não meus senhores, não são rosas, são Euros, muitos e muitos Euros.

Perante tão magnânima demonstração de generosidade que restava aos ilustres empreiteiros senão deitar a mão ao máximo de notas possível?

Afinal os pobres empreiteiros também têm família e necessidades prementes.

Haja vergonha, haja decência e respeito por quem sua suor e sangue para pagar estes e outros dislates.

Saudações a todo(as)
Nau Catrineta